A Coxia
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diana_cassadora's LiveJournal:
| Sunday, June 14th, 2009 | | 11:03 pm |
Texto Sobre Ouro Preto:
Eu já tentei escrever textos sobre Ouro Preto, mas não achei que sairia da primeira linha. Contudo hoje, mais do que das outras vezes, tenho esse desejo aumentado. Portanto, mesmo que seja um texto pequeno, escrevê-lo-ei. Estive em Ouro Preto ainda ontem. Estranho pensar que estive lá há tão pouco tempo. Mais estranho ainda é pensar como ela está longe de mim. Longe em todos os aspectos. Sempre que vou a Ouro Preto, parece-me que nada mudou. Digo, mesmo que tenha passado a noite chocalhando numa poltrona de ônibus, e mesmo que meus músculos e meus osso estejam demonstrando isso, parece-me que passei a noite dentro da minha amada Ouro Preto. É como se, ao sair dela, o tempo parasse e voltasse a corre quando retorno. Parece que a vida fora de Ouro Preto é apenas um intervalo na vida real, que seria apenas em Ouro Preto. E pensei que dessa vez a coisa seria diferente. Afinal, eu não moro mais lá, eu me mudei, fui atrás de um emprego, e não acredito que Ouro Preto pudesse me dar isso, do contrario, ela me daria. Ao menos, não por hora. Mas enganei-me. Estava tudo igual. A mesma sensação, o que mudou foi a saudade. Estava maior. Algumas coisas mudaram, outras não. A “Trilha de Minas”, que vendia moletons, tinha se transformado numa loja de celular. Só comprei um casaco ali, mas gostava de saber que a loja estava naquele lugar. Não sei o motivo, pois sabia que dificilmente compraria mais algo por lá. A placa que anunciava o atelier do Luca Parma estava maior, e mais bonita, era visivelmente nova. Infelizmente, não consegui encontrar o Luca Parma. A Pretinha teve filhotes, mas não estava lá pra que eu a visse, estava na rua. Mas o Totó, um novo poodle, estava lá quando eu fui visitar meus antigos visinhos. “O Orfanato” não é mais um filme que eu tenho apenas vontade de rever, mas é um filme que entrou pra minha lista de filmes que já vi. A “Fábrica de Chocolates” e a “Set” estavam no mesmo lugar, do mesmo jeito. O chocolate quente da “Fábrica de Chocolates” ainda custa R$ 5,50, e a “Set” continua com sua variedades de livros do “Kama Sutra” expostos em uma das vitrines. Mas, acho que os livros estavam expostos pelo dia dos namorados. As padarias continuavam vendendo seus pães que eu tanto gosto. Mas, o preço do pão de queijo subiu. É impressionante como essas coisas são tão simples, tão sem importância, mas são especiais para mim. O leitor já deve estar entediado desse meu papo. Vou mudar o rumo da conversa. Há um horto botânico por lá, que foi inaugurado quando estava terminando a faculdade. E essa foi a primeira vez que fui vê-lo. Cruzei a cidade toda, literalmente. Normalmente, Ouro Preto fala comigo, e ela falou, mas não quando estava no horto. Ela falou antes disso. No horto, fui eu quem falou com ela. Disse-lhe o quanto a amava. Quando tive a oportunidade de andar livremente pela cidade, ela falou comigo. Isso foi depois de encerrar as visitas obrigatórias e os compromissos sociais. Muita gente gostou de me rever, mas eu estava doida pra ter um tempo a sós com a cidade que eu amo. E ela falou comigo. Não o fez como antigamente, sua voz estava fraca, rouca, quase um sussurro. E o que ela me disse machucou, magoou. Por isso, tive que dizer o quanto a amava. Ela começou guiando meus pés, como sempre fazia. Quando eu estava em sintonia, ela falou comigo baixinho, como se fosse a última palavra que me diria. Ela disse “tchau”. Isso doeu. Depois, ficou calada, muda. Pelo menos, não foi “adeus”. Mesmo assim, pelo resto da minha estadia, continuei me sentindo bem por ali. Algo que começou a acontecer depois de certo tempo de Ouro Preto é que a cidade chorava quando eu viajava. Sempre chovia quando eu pegava um ônibus pra ir pra longe. Quando eu me mudei de lá, choveu. Ontem, choveu, mas choveu de dia. Queria que nossa relação não mudasse, mas sei que isso é impossível. Não sou mais uma aluna, não sou mais uma moradora de Ouro Preto. Agora eu sou uma turista encantada com a cidade. Agora, quando eu for, será como turista. Minha vida não é mais lá, apesar de ainda sentir-me ligada àquela terra. Acho que é isso que o amor por um lugar faz com a gente. Mesmo sendo uma turista, ainda posso sair simplesmente pra comprar pão, ou andar pelas antigas ruas sem rumo, sem direção, mas aberta às surpresas que Ouro Preto sempre me reserva. Sempre estarei aberta à ela, só espero que ela não se feche pra mim... Não gostei. Mas, infelizmente, não sei se conseguiria escrever algo melhor... Current Mood: nostalgic | | Wednesday, May 27th, 2009 | | 10:35 pm |
Sou como o Aço:
Normalmente, as mulheres são diferentes umas das outras. O mesmo se aplica às belezas que eles exibem. Existem tipos diferentes de beleza, e normalmente elas estão ligadas às mulheres que as exibem. Existem mulheres que são como as flores. Quando estão prontas, elas simplesmente desabrocham. Suas delicadas pétalas fazem com que fiquemos admirados, apelando para nossa visão, para nosso tato (sim, pois elas sempre sugerem uma textura macia e acetinada) e para o nosso olfato. Flores vistosas ou tímidas, não importa quais sejam, mas normalmente uma flor sempre atinge o coração de quem a contempla. Algumas mulheres são como a lua. Vão enchendo-se de brilho, até tornarem-se resplandecentes. Tão repletas de luz que podem competir com o próprio sol. Algumas vezes essa competição é desonesta, pois eles roubam à luz solar, o que não lhes tira nem um pouco sua beleza, e sim a aumenta. Normalmente a lua trás sonhos à mente humana, além de ser capaz de confundi-la também. Outras mulheres são como as estrelas. Elas não são tão brilhantes quanto à lua (ao menos, não no ângulo de vista que possuímos), possuem um brilho tímido, quase cândido. Contudo, mesmo sendo discretas, as estrelas são capazes de aprisionar o olhar daqueles que as fitam. Pode ser o primeiro ou o milésimo olhar, elas sempre fazem com que os olhos do admirador fiquem presos a elas, e elas o mantêm pelo tempo que desejarem. Eu sou com o aço. Não sou como as flores, nem como a lua e nem como as estrelas, eu sou como o aço. O aço não traz nenhuma beleza aparente. Na verdade, quando é extraído, o aço é bem feio. Para revelar qualquer beleza, ou mesmo utilidade, o aço deve ser moldado. E molda-lo não é fácil. O aço não se deixa modificar com facilidade. É preciso subjugá-lo antes de dar-lhe uma nova forma, a aparência desejada. E o aço não se curva facilmente à força que seja. Ele deve ser aquecido, experimentar as temperaturas mais altas, o calor mais pungente. O calor vai lhe tirar o apego pela forma que ele tem. Mesmo assim, o aço ainda não se rende facilmente à nova forma, ele deve ser açoitado, malhado impiedosamente. Mesmo assim, ele luta para manter-se da forma que é, ele luta para preservar sua essência. O aço sabe que mudará, mas ele vai dar trabalho antes disso tudo. Ao fim, é mergulhado na água e resfriado, de forma que não mude, novamente, de forma. O aço pode mudar, mais uma vez, de forma, se esse for o caso, mas ele não se renderá, mais uma vez, de forma fácil à essa mudança. Mudar a aparência do aço é difícil, pois ele não se permite mudar. Mudar a minha aparência é difícil, pois meu corpo não se permite mudar. Mas, como o aço eu sou teimosa. Meu corpo é como o aço. Minha personalidade, é como o fogo, como o martelo e como a água. Capazes de dar uma nova forma ao aço. E, diferente das flores, o aço não murcha. Diferente da lua, o aço não perde o novo brilho quando começa a minguar. Diferente das estrelas, o aço não fica inaccessível aos olhos das pessoas por uma nuvem. O aço brilha, não importa o tempo que faz, e não perde sua vitalidade, não importa o tempo que se passe. O aço sempre fica mais e mais forte. O aço sempre aumenta seu poder e sua resistência. Cada vez que ele é submetido à mais uma dolorosa mudança, ele retorna mais forte e mais belo. Poucas mulheres são como o aço, pois poucas mulheres suportam serem subjugadas como ele é. Current Mood: artistic | | Monday, May 18th, 2009 | | 7:46 pm |
Nemo
Lá pro início da tarde, tudo que eu queria era enfiar a cabeça debaixo de uma forte chuveirada. E era mesmo o que eu precisava. Mesmo assim, teria que suportar mais algumas horas até ver-me aliviada daquilo tudo. A música preferida para esse dia, era “the show must go on”, mas mesmo assim, “Nemo” não me saia da cabeça. Talvez por eu precisar de um bom aguaceiro na cachola. Ainda acho que a música do “Queen” seria mais apropriada, mas mesmo assim, alguns versos de “Nemo” ficavam martelando na cuca quente. Portanto, se a pedida é “Nemo”, então é “Nemo” que darei aos meus ouvidos. Nemo: This is me for forever One of the lost ones The one without a name Without an honest heart as compass This is me for forever One without a name These lines the last endeavor To find the missing lifeline Oh how I wish for soothing rain All I wish is to dream again My loving heart lost in the dark For hope I'd give my everything My flower, withered between The pages two and three The once and forever bloom Gone with my sins Walk the dark path sleep with angels Call the past for help Touch me with your love And reveal to me my true name Oh how I wish for soothing rain All I wish is to dream again My loving heart lost in the dark For hope I'd give my everything Oh how I wish for soothing rain Oh how I wish to dream again Once and for all and all for once Nemo my name forever more Nemo sailing home Nemo letting go Oh how I wish for soothing rain All I wish is to dream again My loving heart lost in the dark For hope I'd give my everything Oh how I wish for soothing rain Oh how i wish to dream again Once and for all and all for once Nemo my name forever more My name forever more. (Nigthwish). Nemo: Essa sou eu para sempre Uma das perdidas A única sem nome Sem um compasso de coração honesto Essa sou eu para sempre A única sem nome Estas frases são a última tentativa Para encontrar a linha da minha vida. Oh como eu gostaria de uma chuva tranquila Tudo que eu quero é voltar a sonhar Meu coração amoroso perdido na escuridão Eu daria tudo por um pouco de esperança. Minha flor, seca entre As páginas 2 e 3 A única que floresceu Foi-se com as minhas doenças Andando por um caminho escuro onde anjos dormem Pedindo socorro ao passado Toque-me com o seu amor E revele-me meu nome verdadeiro. Oh como eu gostaria de uma chuva tranquila Tudo que eu quero é voltar a sonhar Meu coração amoroso perdido na escuridão Eu daria tudo por um pouco de esperança. Oh como eu gostaria de uma chuva tranquila Tudo que eu quero é voltar a sonhar De uma vez por todas e de todas as vezes por uma Nemo será meu nome para sempre. Nemo partindo para casa Nemo deixando-se levar. Oh como eu gostaria de uma chuva tranquila Tudo que eu quero é voltar a sonhar Meu coração amoroso perdido na escuridão Eu daria tudo por um pouco de esperança. Oh como eu gostaria de uma chuva tranquila Tudo que eu quero é voltar a sonhar De uma vez por todas e de todas as vezes por uma Nemo será meu nome para sempre. (tradução minha). Mas, de noite eu pude, enfim, enfiar a cabeça debaixo de uma ducha quente. Fez bem, eu vi soluções que podem ser interessantes. Ao menos, são alternativas que podem dar resultado. Não que eu esteja com os nobres sentimentos de ensinar ou educar, continuo fazendo isso pela grana. Mas, quando nada, também quero me divertir um pouco... Current Mood: hopeful | | Monday, May 11th, 2009 | | 7:15 pm |
Orgulho:
Apesar dos pesares, e da saúde visivelmente enfraquecida, hoje não estou deprimida. Na verdade, estava pensando nos feitos que tenho realizado e nos frutos que tenho colhido com eles. Só de poder colher esses frutos, já sou uma felizarda, pois tem muita gente que faz por onde a vida toda e não recebe nada. Tudo começou em 2005, ano em que passei pra UFOP. Posso dizer que, pela primeira vez na vida, vi meus esforços serem, de certa forma, recompensados. Mas, ai de mim! Nem imaginava que um peso grande abater-se-ia sobre as minhas costas logo no primeiro período. Não chamei atenção e nem tirei as notas que tirei mais tarde. Logo no segundo período revidei, e tirei o maior CR da turma, feito que se repetiu em outros semestres. Fechei a faculdade com CR 9,9, além de ter tirado dez na monografia e na peça de formatura. Continuo insistindo que a minha nota na peça não deveria ser tão alta, que eu poderia ter feito melhor, mas não sei se conseguiria fazer melhor no pouco tempo que me deram. Mas, hoje, não estou a fim de me gabar, mais uma vez, pela faculdade. Isso deveria ser passado, não? Logicamente que um passado inesquecível, mas não se pode viver de passado, como insiste o Raposa. Tem outro passado, mais distante, que dá frutos até hoje. Minha dedicação e seriedade no teatro de Rio das Ostras. Com exceção de uma pessoa, não acredito que as pessoas se lembrem do que andei fazendo por lá, mas isso importa? Pelo menos, alguém lembra. E essa alguém tem apostado em mim. Não me importo com uma multidão que me ignora, importo-me com o individuo que sabe da minha presença e do meu valor. Antes de me mudar para Minas, essa pessoa encomendou-me um conto de terror, que eu ele pretendia adaptar para o palco. Quando eu estava no segundo período da UFOP, recebi, da pessoa em questão, a noticia que de o tal conto viraria mini-série de TV. Bem, não foi pra frente, mas no mesmo dia fiquei sabendo que meu CR foi o maior da turma (pela primeira vez). A vontade de trabalharem com o conto continuou, mesmo a pessoa não tendo recursos. Outra coisa que aconteceu e da qual me orgulho é que, poucos meses após a formatura, eu consegui trabalho. Normalmente, a pessoa leva de seis meses a um ano pra realizar tal façanha. Considerando que eu me formei em janeiro, e em abril já estava empregada, não completei nem três meses de problema social e já me tornei uma cidadã produtiva. Inclusive, hoje, com a saúde debilitada e o corpo fragilizado e comprometido (uma noite insone com vômitos e diarréia), desempenhei meu trabalho com qualidade. Confesso que recebi ajuda e compreensão dos colegas de trabalho, e da chefe, mas ninguém me faria levantar da minha própria cama se não fosse eu mesma. Bem, e para finalizar os motivos do meu orgulho, ainda recebi meu primeiro salário. Isso, é claro, não excetuando as pessoas que eu já conquistei e que, de certa forma, sempre me terão no coração. Não é todo mundo que consegue arraigar tanto carinho na sua pessoa. Não sou uma alguém que entende profundamente a humanidade, mas imagino que um ser odioso, desprezível e mau não teria tanto sucesso. Mas, começo a acreditar que esse parágrafo foi sem-sentido. Desculpem, mas mesmo estando doente, sinto como se gostassem de mim. Deve ser por estarem preocupados comigo. Current Mood: productive | | Saturday, May 9th, 2009 | | 7:49 pm |
Lanchei o pão que detesto, com algo no meio que não é mel, mas tem a mesma cor e menos calorias. O doce que fiz especialmente pra minha mãe esfriava em cima do fogão. Agora podia tomar banho. Tomei banho de olhos fechados, como sempre. De olhos fechados, pois não me deixam apagar a luz por aqui. Estava me olhando no espelho e espalhando creme nos cabelos para hidratá-los. Foi quando nos meus olhos, vi uma indagação: “Por que fazer isso, gorda?”. Lógico que tinha que continuar. Afinal, uma mulher desleixada é uma mulher mal-comida. E, não importa quão ruim de cama seja o cara que a fez uma mal-comida, isso sempre é culpa da mulher. Como não sou mal-comida, tive que continuar, mesmo me indagando porque diabos estava fazendo aquilo? Mas, mesmo assim, vi que não havia razão pra hidratar o cabelo. Alias, não há razão para nada. Sentei-me ao computador, com o suor escorrendo por baixo da blusa e alimentei minha doença. Teria como chegar mais ao fundo do abismo do que ser feia, gorda e deprimida? Pessoas deprimidas tentem a se punir, pois as outras pessoas, por tentarem parecer politicamente corretas, não farão isso. Alimentando-a, tive a sensação de que nada valia a pena, como toda pessoa deprimida tem. Evoquei canções tristes a mais as murmurei do que cantei, pois também não gostam de ouvir minha voz. Minha voz. A única coisa que eu tenho de bonita, eu não posso mostrar. Alguns minutos depois, debaixo do chuveiro, removendo o creme dos cabelos e o sangue da pele, notei que não havia escapatória. Beber não aliviava minha tristeza. Comer não aliviava minha tristeza. Me cortar não aliviava minha tristeza. Chorar não aliviava minha tristeza. Notei que ela sempre estaria presente, eu jamais poderia me livrar dela. Apenas poderia fingir, como farei eternamente, que ela está ali. Serei sempre a palhaça gorda, pois esse é o papel que me cabe. Então, se nada pode aliviar a dor, pra que lutar contra ela? É muito bonito uma pessoa agarrar-se à vida antes de morrer de câncer, principalmente quando há morfina em abundância. Tirem a morfina do paciente e vejam se ele não vai implorar pela morte? Pra que lutar contra algo que está tão enraizado em mim que se tornou minha própria essência? E quando percebi isso, tive vontade de desistir. Por que não seguir a inércia, simplesmente existir, mas sem viver? Já vivi o suficiente, em minha opinião de paciente terminal de câncer sem morfina. Deixe que tudo flua como um rio, deixe que tudo passe sem dar a mínima importância. Não me arrumar mais, não me cuidar mais, ignorar minha saúde. Permanecer assim, até o dia em que minha mão, impaciente, fará aquilo que o ceifador sinistro recusa-se a fazer. Current Mood: depressed | | Monday, May 4th, 2009 | | 10:47 pm |
Absolvição:
Desculpe Raposa, mas esse texto veio depois de uma convesra por msn. Desculpe, eu precisei escreve isso. Espero que possa, um dia, me perdoar... O sangue descendo pela sua garganta dava-lhe a sensação de que tudo estava bem. Não estava. Suas costas, curvaram-se mais ainda pelo peso que haviam depositado nelas. Ou ela teria buscado tal peso? Não sabia. Tudo que sabia era que o sangue descendo pela sua garganta dava-lhe a sensação de que tudo estava bem. Contudo, o próprio fato de verter sangue, indicava-lhe que isso era uma mentira. Ela mesma percebeu isso antes que o sangue coagulasse. E justamente quando desejava ser outra pessoa, quando provocava suas próprias lagrimas por ser quem era, veio-lhe mais esse peso. E á estava ela. Lá sempre esteve ela. Aspirando algo que não sabia o que era, desejando ser alguém que jamais seria. Fingindo... consumida pelo cansaço que provocara em si mesma. Aplaudiam-na por seu altruísta, mas ela não possuía amor-próprio. E, quando não se gosta de si mesmo, não é fácil abdicar-se em favor de outra pessoa... “msmo de longe vc me completa”... Logo, não era difícil ser altruísta. Mas, tinha carência de si mesma, precisava de si mesma, precisava de sua auto-aprovaçao, precisava se amar. Precisava disso com desespero, precisava disso com ânsia de uma pessoa sufocada necessita do ar. Quanto tempo mais resistiria a essa sensação asfixiante? “vou te pedir socorro de muitas maneiras ainda”... Tentava se amar, mas não era capaz disso. Queria se amar. Como era capaz de conquistar tantas pessoas e não se amar? Como era capaz de se condoer a com o peso alheio e, mesmo assim, não ter pena das suas costas? Não era um anjo, ao era um demônio, já quis ser ambos, mas andava com vontade de ser apenas humana. Como poderia viver sem se amar? Por isso que queria ser outra pessoa? Por isso que fazia o sangue escorrer pela sua garganta? “eu t amo” Amaldiçoava-se apenas para dizer que era amaldiçoada. Matava-se apenas para dizer que suicida. Seria possível uma pessoa ser tão vazia assim? Seria possível uma pessoa precisar de luz tão urgentemente? “ainda vamos nos ver de novo” E seu sangue brotando era uma maneira de procurar absolvição. Queria ser absolvida de tudo. Queria ser absolvida do ódio que nutria por si mesma. Queria ser absolvida do amor que sentiam por ela. Queria ser absolvida pela vontade de ser outra pessoa. Queria ser absolvida pelos seus pecados. Não era tão simples quanto falar a um pare e pegara uma penitencia, qual penitencia seria capaz de fazê-la sentir-se leve e livre? Alguma vez já se sentira leve e livre? Caso nunca, como seria essa sensação? Como saberia se estava livre e solta? “eu sei que vamos”. E não queria. Não queria ver ninguém. Não queria falar com ninguém. Não queria ser amada por ninguém. Não queria ajudar ninguém, não queria odiar ninguém. Pois seria culpada. Seria culpada em ver, em falara, em ser amada e em odiar. Queria apenas a reconfortante e segura sensação do sangue escorrendo pela sua garganta. Fazia tempo que não fazia isso. Fazia tempo que não sentia esse gosto. Parecia ser a única penitência que conhecia. Parecia a única forma de conseguir absolvição que conhecia. Que deus era esse que havia adotado para si? Havia adotado algum deus, ou apenas uma sucessão de maldiçoes? “vc é melhor do que eu, e sabe disso”. Não queria ser melhor do que ninguém. Apenas queria dormir com o sangue na boca... apenas queria que isso a absolvesse... Current Mood: sad | | Saturday, April 11th, 2009 | | 6:03 pm |
Ouvindo "Hair":
Suas pernas voavam. A chuva caia molhando tudo, embaçando sua visão. O vento fustigava por todos os lados. Seus ouvidos ouviam a música “Hair”, de um filme homônimo. Havia a gravação da peça que gerou o filme, mas ela gostava mais da gravação do filme. Pareci que essa gravação tinha mais vida. Que melhor situação, pensou, haveria para se soltar a longa cabeleira castanha? Com um gesto rápido de ambas as mãos, soltou os cabelos. Deixou que o vento levasse-o. Deixou que seu cabelo se tornasse revolto e livre à forma do vento, ao ritmo das pernas e ao som da música. Por instantes, fechou os olhos e entregou-se aos elementos que a circulavam. Ouvindo “Hair” Hair: Ela me perguntou por que Eu sou só um cara cabeludo Eu sou cabeludo o tempo todo Cabelo, isso assusta. Meu cabelo é comprido, é curto Não me pergunte o motivo Eu não sei. Não é por falta de grana Como meu pai agradeceria se fosse Querida. Me dê uma cabeça cabeluda Cabelo longo e bonito Brilhante, luzidio Fluido, liso, limpo. Dê-me uma cabeleira Comprida até o ombro, ou curta Aqui querida, ali mãe Em todos os lugares pai, pai. Cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo Que cresça, que apareça Tão longo quando Deus permitir Meu cabelo. Deixe-o var pela brisa E ficar preso nos galhos Que meu cabelo seja um ninho de pulgas Um ninho de pulgas Uma colméia de abelhas Um ninho pra pássaros Não há palavras Para a beleza, o esplendor, a maravilha Do meu Cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo Que cresça, que apareça Tão longo quando Deus permitir Meu cabelo. Eu o quero longo, liso, anelado, cheio Solto, felpudo, palha, Oleoso, engordurado, embaraçado Brilhante, luzidio, fluido, Liso, limpo Livre, pontilhado, Trançado, cheio de contas, Com talco, com flores, com confetes Embaraçado, com lantejoulas, cabelo-de-anjo. Oh diga que você pode ver Meus olhos, e se você pode Então meu cabelo está muito curto. Descendo por aqui Descendo por lá Descendo por todo lugar Até parar sozinho. Eles ficariam boquiabertos Quando me vissem na minha toga Minha toga feita de loiro Brilhante Bíblico cabelo. Meu cabelo é como o de Jesus Aleluia eu o adoro Aleluia Maria amava seu filho Por que minha mãe não me ama? Cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo Que cresça, que apareça Tão longo quando Deus permitir Meu cabelo. Cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo Que cresça, que apareça Tão longo quando Deus permitir Meu cabelo. Meu cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo, cabelo Que cresça, que apareça Tão longo quando Deus permitir Meu cabelo. Foi a primeira vez, desde que começara, que não ficava o tempo todo pensando: “quando chegar naquele ponto, eu paro”. P.S: Não traduzi o titulo da música, pois iria ficar muito feito. Além disso, como já escrevi acima, essa música é homônima ao filme, e nem o titulo do filme foi traduzido para o português Current Mood: crazy | | Monday, April 6th, 2009 | | 6:09 pm |
Algo de Bom:
Havia algo de bom enquanto corria daquela maneira. Por incrível que pareça, havia algo de bom. Não gostava de correr daquele jeito. Na verdade, odiava sua rotina, e isso incluía as corridas que se forçava a fazer. Queria parar de fazer isso, mas não parava, e nem sabia o motivo. Mas, por algum tipo de misericórdia, quando se acostumava a fazer o que não gostava, conseguia “desligar” o cérebro enquanto o fazia. É como se ligasse sua carcaça no “automático”, e deixava a coisa fluir. Não sabia se essas corridas valiam à pena. Não acreditava que conseguiria nenhum beneficio (ou malefício), físico além daqueles que já possuía. Pelo menos, até hoje, não havia conseguido nenhuma mudança. Também não o fazia por saúde. Na verdade, se algum medico analisasse seus hábitos, lhe diria que deveriam ser mudados. Mas que se danem os médicos! Eles são muito bons pra dizer o que um corpo humano, em geral, agüenta, mas não sabem o quanto ela agüenta. E ela agüentava muita coisa. Portanto, na maioria das vezes, não sabia o motivo de continuar, não queria testar os limites, isso era tão esteriotipado e tão fará de televisão sensacionalista, que não tinha paciência pra tanto. Mesmo não gostando dessas corridas, havia algo de bom nelas. Ela não sabia exatamente o que era. Não era algo em si, sozinho, mas um conjunto de coisas que, algumas vezes (não sempre), lhe dava sensações agradáveis. Talvez, pelo fato de conseguir “desliga” o cérebro, ela não conseguia precisar o que havia de bom. Em raros momentos em que forçava a tecla “on” no seu cérebro, conseguia captar coisas boas. Corria ouvindo música. Não o barulho dos carros, e nem o lixo miadiático que as pessoas consomem. Era música de verdade. Rock, mas não qualquer rock, era algo mais tipo rock melódico, ópera-rock. Ela mesma escolhia o que iria ouvir, por isso gostava do fundo musical da sua atividade. Além disso, sentir sua carcaça movendo mais rapidamente ao som de “Sperstar”, ou ao som de “Hair”, era bom. Dava uma sensação de leveza, velocidade, e até mesmo de liberdade. Também achava bom sentir o vento que seu deslocamento produzia nos cabelos molhados de suor. Provavelmente, todas as pessoas na face da Terra já tinham se perguntado, como seria voar. Voar como os pássaros. O que será que um pássaro sente nas penas quando voa? Ela acreditava que era a mesma sensação que tinha do vento nos cabelos molhados pelo suor. Esse era o tipo de liberdade que sentia, a mesma de um ser que se abandona ao vento. Também gostava de pedir, ofegante e educadamente “licença”, às pessoas que andavam á sua frente e ocupavam a calçada toda. Em alguns casos, a situação era difícil, pois muitas vezes, não há espaço para uma família, um aleijado (a), ou uma pessoa cheia de sacolas dar espaço. Mas, na maioria das vezes, pedia às pessoas que podiam ceder passagem. Gostava de sorrir para essas pessoas e de vê-las abrindo caminho. Como a comunicação facilita as coisas! Não gostava de gente espaçosa, mas como o cérebro estava “desligado” mesmo, não esquentava a cabeça em pedir licença. Por fim, havia o suor. Muita gente acha esse tipo de fluido nojento. Mas, na verdade, ela acreditava que existiam coisas bem piores. Isso não vem ao caso. Mas, quando terminava o exercício, sentia-se grata por verter aquele suor, e por ter terminado o sacrifício diário. Depois, tomava água fresca. Isso era um verdadeiro néctar sagrado dos deuses, assim por dizer. Talvez fosse a sensação realmente compensadora de tudo isso. Talvez não... mas, de certa forma, agradecia, e orgulhava-se, de ter feito aquilo e de ter vertido aquele suor. Gostava de sentir seu sangue abandonando sua carcaça, e o suor deixando-a, produzia um efeito similar, apesar de ser em uma escala muito menor. Incrivelmente menor. Havia, sim, algo de orgulho e algo de gratidão naquele esforço, naquele suor. Mas, tudo isso junto não fazia dessa atividade agradável, apenas dava-lhe momentos agradáveis durante o trajeto que sempre parecia infinito. Uma luta. Aquilo não era uma pista de corrida, e nem um trajeto a ser seguido, era uma eterna luta. Uma luta contra... o que mesmo? O inimigo, bem como o objetivo, já havia modificado algumas vezes, assim como o discurso precedente à batalha, de forma que, era difícil definir contra quem era a luta. Enfim, isso também não vem ao caso agora. Queria parar, mas não conseguia. Queria continuar, mas contra sua vontade. Não sabia por que não parava, não sabia por que não tinha prazer mesmo sabendo dos momentos agradáveis. Talvez não parasse por causa desses momentos agradáveis. Talvez quisesse parar por saber que eles não faziam da atividade algo prazeroso, pois momentos são apenas coisas fugazes, nunca regra, nunca solução. Talvez, um dia em que suas pernas se movessem com uma velocidade maior, e seu cérebro estivesse “desligado”, ela descobriria, mas isso sem forçara a tecla “on”. Pois, essa era uma característica interessante sua, era capaz de descobrir muitas respostas, de ter lampejos de clareza justamente quando “desligava” o órgão que guardava dentro da cabeça. Talvez, nunca parasse com isso, pela liberdade que lhe era concedida. Talvez seu cérebro ansiasse tanto por essa liberdade, que nunca lhe daria a resposta. A liberdade de estar abandonada ao “automático”, de simplesmente seguir, sem pensar no passado e nem no futuro, de simplesmente ir, sem mudança de rotas, sem recompensas ou esforços. Essa é a liberdade que eu sinto quando o vento passa por mim, e quando a água desce pela garganta sedenta. Current Mood: dirty | | Friday, April 3rd, 2009 | | 10:46 pm |
Pelos Velhos Tempos:
Nuss! Vou quebrar o clima depressivo hoje. Apenas a luz do monitor ilumina meus dedos sobre o teclado. E é assim que deve ser. Na verdade, o ideal seria que eu estivesse de pijamas, já tivesse desejado boa-noite a todos, trancada no quarto, com uma lapiseira, uma folha de papel e uma lâmpada sobre a folha. Uma música condizente também faria parte do cenário. Mas, o teclado e a luz do monitor não me incomodam. Nem o silêncio. Na verdade, o silêncio sempre é bem-vindo. Ultimamente, eu tenho me feito uma pergunta: “como as coisas chegaram a esse ponto?”. Mas, não me refiro a algo em especial, como a minha recém formação profissional, ou o estado da cidade de Macaé, ou mesmo a forma com a qual encaro o mundo. Claro, que isso que citei também está incluso na pergunta, mas muitas vezes, ela é direcionada às coisas menos pesadas ou importantes. Algumas vezes, olho uma garagem que, há alguns anos, era apenas um térreo baldio e me pergunto: “como foi mesmo que aquilo virou isso?”. Mais ou menos do tipo: “lembra do berço em que você dormia? Como ele deixou de ser berço e virou cama?”. Bem, não sei se o leitor está entendendo a maluquice, mas a maioria das coisas malucas não são para serem compreendidas (caso contrário, não existiriam mais loucos). Mas, o que eu ia dizer mesmo? Ah sim! Eu fico me perguntando como as coisas ficaram do jeito que são. Não acredito que isso seja uma frase minha, eu devo tê-la lido, ou ouvido, em algum lugar, apesar de não me lembrar onde foi. Mas, dizem que é necessário saber de onde se parte para saber onde se quer chegar, ou algo que o valha. Partindo pro esteriótipo, mas estou numa nova fase de vida. É a primeira vez que deixo de ser o futuro da nação e me torno problema social. Apesar de tudo, isso não me tem tirado o sono. Ou tem... mas, eu não participaria de um filme pronô só pra ganhar uma grana. Ou participaria? O fato é que, muitas vezes, eu me pergunto como algumas coisas começaram, relembro do começo, pra ver se consigo saber onde gostaria que esse começo me levasse. Não tem importância os desvios que o “durante” possa ter, mas queria me manter fiel ao início, para alcançar um bom final. Enfim, hoje, eu parei de relembrar como foi o passado e, por cerca de duas horas, me permiti retornar ao passado. Nem sempre fui do jeito que sou agora (isso acontece com todos, ao menos nesse ponto, eu não sou exceção). Houve uma época em que eu gostava de confeccionar cartões de papel-vegetal, ouvindo música. Naquela época, eu era uma pessoa romântica, delicada e sofria por um amor não correspondido. Talvez tenha restado algo do romantismo, mas graças a Deus não sofro mais por amores não correspondidos. Bem, eu não acharia ruim deixar de ser macho e voltar a ser delicada, mas é a vida... enfim, hoje sentei-me à minha escrivaninha e confeccionei um cartão da minha escolha, ouvindo ao “Fantasma da Ópera” enquanto isso. O “Fantasma da Ópera” já foi meu musical preferido, e talvez ainda seja (se não é, será que valeu mesmo a pena pagar R$ 200,00 pra assistir ao espetáculo?). Mas, eu me lembrava de todas as falas e de todas as passagens, de cada nota musical e de cada detalhe da obra. Mesmo os instrumentos encobertos pelo resto da orquestra, eu ainda sabia onde estavam, quando soavam e como soavam. O mais curioso é que eu não me contentava em apenas ouvir enquanto minhas mãos estavam ocupada com o trabalho, mas também dublava os cantores, fazendo caras e boca, demonstrando expressões e até me emocionando em alguns momentos (já sabia onde me emocionaria, o que não impediu minhas reações). Fiz idêntico à época em que amava e não era amada. Foi bom. Minhas mãos tremiam, mas sempre foram tremulas. Quando mexia com papel-vegetal todos os dias, elas eram mais firmes. Mas, o trabalho delicado e preciso, obrigava-as a isso. Ou melhor, tinha-as treinado para isso. Mas, o tempo passou e elas voltaram a se tremulas. Estão tremulas, mas a habilidade permanece, pois ainda consegui executar as partes mais minúsculas e chatinhas. Apesar do treme-treme, cometi poucos erros na confecção do cartão. E, sim, peguei-me dublando a ópera, fazendo caras e bocas. Não apenas isso, mas algumas vezes, a atuação dos cantores, a letra da musica, ou simplesmente a melodia, arrancavam um ou outro suspiro de tristeza do meu peito. Uma tristeza inofensiva, já que era real e extremamente passageira. Uma tristeza inofensiva para mim, uma vez que não era minha. E isso foi bom. Foi bom, por duas horas, retomar um prazer antigo, e descobrir que ainda me faz sentir bem. Pensei em escrever algo de romântico, pelos velhos tempos. Talvez até o faça, mas dificilmente eu postaria algo assim. Mesmo que escrevesse, eu não acho que postaria. Afinal, o Raposa poderia ficar com ciúmes... mas, como é bom amara e ser amada. Na época em que vendia cartões de papel-vegetal e ouvia o “Fantasma da Ópera” direto, eu não pensava que algo assim aconteceria comigo um dia. Amar e ser amada. Eu dizia que seria o único desejo que eu faria ao gênio da lâmpada, se encontrasse algum (os desejos já mudaram, mas isso é meio que evidente). Mesmo assim, não achava possível. Mais uma vez me perdi. Qual era o lance mesmo? Ao final, antes de me sentar aqui pra escrever, eu tomei um café. Mesmo sabendo que preciso dormir, e que o café me tiraria o sono, tomei uma xícara. Estou com frio hoje. Além disso, tomar café era um costume meu em Ouro Preto. Começo para me manter acordada, mas o que acabou me agradado mais nisso, foi o fato de parar por dez minutos para fazer algo que não fosse produtivo, ou importante. Claro, que aqui em Macaé a coisa é diferente. Eu tenho saudades desse lance do café, e volta e meia eu tenho vontade de escrever a esse respeito. Talvez outro dia, eu escreva, pelos velhos tempos. Aliás, nem sei mais se vou escrever mais alguma coisa hoje, mesmo aquela coisa romântica e poética que só aquela Diana delicada e infeliz sabia escrever. Não que ela fosse melhor do que eu, mas tinha um certo charme que conquistou uns poucos corações. Engraçado... apesar do café ser basicamente um ritual na minha vida ouro-pretana, nunca tive um conjunto de xícaras de café. Acabava tomando-o em xícaras de chá. Current Mood: nostalgic | | Monday, March 30th, 2009 | | 11:18 pm |
Tentação:
Pensei em chamar esse texto de “Desistência”, mas acho que “Tentação” combina mais. Além disso, acho que já escrevi algum texto chamado “Desistência”. Do jeito que sou, devo ter escrito mais de um... Mas, não é isso que eu queria falar... Ando pensando seriamente em desistir. Pensando não, na verdade, desistir têm de tornado um impulso quase incontrolável, uma tentação muito forte. E por que não? Jogar tudo pro alto, mandar um VSF pra todos e dar de ombros. Quem me dera ter essa capacidade! Na verdade, há algum tempo, eu persisto apenas por inércia. Nem chamaria isso de teimosa, pois teimosia tem um caminho a seguir e um lugar pra chegar. Acho que inércia mesmo. Como se fosse um corpo solto no espaço, que flutua na mesma direção por não ter atrito que não o impeça de seguir. O bom leitor deve estar se perguntando, afinal de contas, do que diabos eu penso em desistir. Da aparência, a coisa que mais me vem martirizando ultimamente. Não a suporto mais. Não suporto a minha aparência e nem aquilo que é preciso fazer para mudá-la. Como tudo isso aconteceu? Como eu cheguei a esse ponto? Hoje, em meio às lágrimas, confessei a mim mesma que não suporto mais a vida que levo, ou os sacrifícios que faço. Sinto o cheiro de mais um distúrbio alimentar (eu arranjo e me livro deles periodicamente). Por hora, estou apenas na fase de sentir dor e sono excessivo. Bem, o choro também já está aí. Logo, logo, eu vou ter que suportar comer em excesso pra compensar o que está faltando agora, e as punições posteriores por ter mantido minha carcaça de pé. Reduzi meus alimentos à menos da metade. Pagarei por isso. Analisado a situação desse ponto, notei que estava extremamente cansada. Não apenas cansada, mas desesperançosa também. Pronto, lá vem o choro pela enésima vez... Repeti uma frase que disse a mim mesma há meses, e que achei que não diria novamente. Quando eu a disse, estava sob pressão. Agora, estou apenas ansiosa: -Eu não agüento mais essa vida. Mas, não falo do simples fato de estar viva. Falo do fato de me submeter a atividades que não gosto, de me submeter a pouca comida e de não ver resultados. Aliás, se fosse apenas isso, talvez a coisa não fosse tão complicada... não suporto mais nada. Não suporto meu invólucro (mas isso eu não suporto desde que estava no ventre materno). Não suporto minhas dietas, não suporto dança do ventre duas vezes por semana, não suporto corrida três vezes por semana, não suporto o fato de ser proibida de desabafar, não suporto minhas roupas, não suporto meus sapatos, não suporto meus adereços, não suporto nem a colcha que está em cima da minha cama (minha mãe colocou uma rosa achando que eu ia gostar. Pra não demonstrar minha real opinião, disse que gostei. Eu odeio aquela colcha). A resposta seria fácil: mude. Caro leitor, não ofenda minha inteligência, que eu provei ser grande. A coisa cai em contradições. Não suporto nem a carcaça e nem aquilo que sou obrigada a fazer para modificá-la. E então? Resolva essa, se puder, caro leitor. Desabafar? K, estou fazendo isso agora, e gerando motivo para futuras brigas... roupas, adereços e sapatos. Como se eu não tivesse tentado mudar isso. Descobri que, mesmo tentando fugir do meu “estilo”, não consigo. Eu já tentei, não ficou bom. Não coube, simplesmente não entrou. E quando, por milagre entrava, acredite, causava-me grande constrangimento. E não posso falar mal da colcha na minha cama, ou minha mãe vai perceber que tem algo de errado. Lembra do lance de desabafar? Não me refiro apenas ao espaço virtual, mas não me sinto bem falando com meus progenitores. Aliás, falar com eles é MUITO difícil. Cada palavra deve ser meticulosamente medida e pesada, cada pequena frase tem que ser ensaiada e cada possibilidade de qualquer resposta, tem que ser levada em consideração. Isso, ou eu tenho que agüentar ser humilhada depois. Mas, eu comecei a escrever pensando em um texto e fugi dele completamente. Em outras épocas, apelaria pra disciplina. Não está funcionando. E não vai funcionar. Isso, pois, não tem estimulo e nem objetivo. Depois de alguns anos, depois de diversos fracassos, depois de ter visto que não há mais resultados. O que posso fazer? Uma fonte que apenas jorra água, mas que nunca é reabastecida, acaba secando. E acho que foi isso que aconteceu comigo. Estou há um passo de desistir. Estou há um passo de largar qualquer tratamento, de largar qualquer dieta, de largar qualquer coisa que gaste mais energia do que ir até a cozinha a voltar. Minha mãe comprou um bolo e pediu desculpas por isso. Quase respondi que não pedisse desculpas, que apenas não comprasse mais a droga do bolo. Sinto o seu cheiro. E acho que comer alguns dos seus pedaços seria mais agradável do que suportar essa dor até amanhã, quando poderia tomar apenas uma caneca de leite como desjejum. E por que não fazer isso? Aliás, por que não jogar meu guarda-roupa todo fora? Por que não assumir que pareço homem e começar a me portar como um? Minha mãe sempre me ensinou a dar uma arrumadinha antes de sair de casa, mesmo que fosse uma coisa banal, como ir ao banco (peraí, ir ao banco não é mais uma coisa banal, é uma cruzada épica, digna de um poema homérico, mas enfim...), ou ir fazer feira. Deixei isso de lado. Deixei de me arrumar. Mais um pouco, e não penteio mais o cabelo. E pra que eu faria isso? Parece-me desperdício de tempo e dinheiro. Aliás, agora parece desperdício de tempo e dinheiro. Deve ser porque só agora eu percebi que, não importa o que eu faça, sempre serei horrorosa e gorda. Posso não dizer isso, posso não dar mostras disso. Mas e daí? Esse será o pensamento que sempre terei em mente. Mesmo que não responda azedamente (e, sim, essa parte do texto é dirigida à uma pessoa que vai brigar comigo só porque estou desabafando) esse será o pensamento que surgirá na minha mente. Mas, grande coisa. O que interessa o que eu gosto ou deixo de gostar? Afinal, eu não posso ser espontânea mesmo. Afinal, todo mundo gosta de uma pessoa mentalmente saudável, cool e sorridente por perto. Pra que mostrar o que eu sou? Já não uso o que eu gosto, já não tenho uma aparência que me agrade. Aliás, a única coisa que, socialmente falando, se salva em mim, é a rapidez que eu tenho em falar besteira e fazer as pessoas rirem. Não sei porque escrevi essa frase... Ainda não consegui falar o que queria. Nem sei como fazer isso. Outro dia, me veio à mente uma frase com cara de ditado: “algumas vezes, não desistir é uma vitória maior do que alcançar o objetivo”. Tentei utilizá-la para me motivar. Por quinze minutos funcionou... mas, ainda sinto falta de estímulos. Era isso que eu queria dizer. Falta estímulo. Não tem mais nada que ajude a me empurrar que seja, nem a mais parca vontade de prosseguir. Como eu disse, inércia. Mas, dificilmente, eu vou parar de ficar sem comer e parar de gastar calorias. Tenho medo. Só quem já sofreu preconceito por causa da aparência, ou por causa do peso, sabe o que é isso. Eu não como comida, eu como calorias. Eu não faço exercícios, eu tento me livrar das calorias que adquiri. Tento, porque conseguir mesmo... Bem, duas opções do que fazer agora, nesse fim de noite. Mas, eu não possa fazer nem uma a nem a outra. Acho que vou contar uma mentira. Vou dizer a todos que estou indo dormir. Mas, algumas horas serão necessárias para que isso aconteça. Current Mood: disappointed |
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